EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS, CLARE VANDERPOOL
Agora que sentei aqui para escrever percebo que Junho foi um mês onde tive em contato com algumas obras que falam sobre perdas. É interessante como cada autor arruma um jeito diferente de nos contar sobre elas.
Em Algum Lugar Nas Estrelas é uma jornada realizada por dois garotos, uma viagem de auto-conhecimento que mistura o real e o fantástico de maneira que ambos se entrelaçam e caminham juntos aos corações dos rapazes. O período é 1945, época em que grande guerra estava no fim de seu curso e Jack é levado por seu pai, um oficial da Marinha, a estudar em um internato (um colégio militar) no Maine após a morte de sua mãe. No colégio conhece Early Auden, considerado como um estranho pela escola, um gênio aficionado por matemática e em especial ao pi, onde além de números ele enxerga cores, formas e uma história repleta de aventuras.

A amizade dos dois se dá de forma inevitável. Ambos são solitários e vivem o luto de forma diferente. Um por sua mãe e o outro pelo irmão que morrera na guerra. Bem, isso é o que disseram a ele, pois Early se recusa a acreditar que Fisher está morto. Afirma categoricamente que ele só está perdido, bem como o Pi em suas histórias. É exatamente por isso que Early decide partir em uma jornada nas férias para encontrar os dois, seu irmão e Pi. Jack parte junto, um tanto quanto cético quanto às obsessões de seu amigo, mas não menos sedento para encontrar a si próprio nessa viagem.

O livro é encantador e a postura da autora de criar um personagem com síndrome de aspenger como o Early sem mencionar nenhuma vez a síndrome foi bem justificada por Clare Vanderpool. Em 1945 pouco se sabia sobre isso e as pessoas apenas viam como “esquisitas” quem se comportava de maneira sistemática como nosso aventureiro, que tinha datas certinhas da semana para ouvir (ou não) seu cantores favoritos, menos em dias de chuva, porque em dias de Chuva é sempre Billie Holliday.
É incrível perceber as coincidências das histórias que Early Auden criava tinha relação com o que eles ainda viveriam. Explico: tudo acontecia como as histórias, ou pelo menos, coincidentemente tudo se encaixava. Jack sendo completamente incrédulo enxergava tudo como uma total confusão, mas podia-se ver que ele, o lúcido, ia aos poucos se permitindo ser guiado por seu amigo.

A graça de “
Em Algum Lugar Nas Estrelas” está em abraçar as sutilezas. Por isso vamos juntos com Jack e Early fazer uma viagem no Maine encontrar piratas, a Ursa Maior, o Pi e deixar nossas mágoas se cicatrizarem nessa jornada.
*Este livro foi recebido em parceria com a editora*


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