LOBO SOLITÁRIO
Autor: Kazuo Koike | Desenhos: Goseki Kojima
Lobo Solitário conta a história de Itto Ogami, ex-executor do Xogum, e seu filho Daigoro durante o período Edo do Japão. O clã da família Ogami era composto por kaishakunins, os executores do governo e tinham permissão para matar um Senhor Feudal (Daimyo).
Itto Ogami é traído pela família Yagyu que arquitetou para que ele fosse acusado de traição e condenado a cometer o Seppuku. Yagyu matou todo o clã Ogami, deixando vivos apenas Itto e seu filho Daigoro, ainda um recém-nascido. Logo após escondeu no templo pessoal da família, uma tábua funerária com o símbolo do Shogunato com uma confissão falsa onde continha a informação de onde tal objeto se encontrava. O objetivo de tal ato era conseguir mais um cargo no Xogum para a família Yagiu, que já eram assassinos secretos e controlavam os Shinobis Kurokuwa, que eram a terceira polícia política do Xogum.

Itto Ogami recusou se suicidar, mas Retsudo Yagyu propõe-lhe um duelo desvantajoso contra um dos membros de seu clã, onde o sol estaria às costas de seu oponente, bloqueando-lhe a visão.
"Kurato luta com o sol poente nas costas… e Ogami está com o filho nas dele[…]Nenhum dos dois luta sozinho, mas o desfecho está claro!"
Depois de vencer o duelo com a ajuda de seu filho, um dos momentos mais empolgantes do primeiro volume deste mangá, Itto segue com Daigoro para trilharem o caminho do Meifumadô, a estrada dos mortos, sendo um espadachim de aluguel, em busca de recursos e disposto a tudo para alcançar sua vingança.

Lobo Solitário é uma das melhores, se não a melhor, obra de mangá já criada no Japão. Kazuo Koike cria uma trama repleta de valores e sentimentos, lições de moral e de vida, com muitas frases icônicas que nos tornam próximos de Itto e seu adorável filho, o leitor se apega aos protagonistas de uma forma tão intensa, que é de difícil descrição. Itto é um exímio espadachim e tem uma habilidade incrível, sempre prevendo as ações dos seus inimigos. As batalhas são sangrentas e rápidas, repletas de estratégias espetaculares. A arte de Goseki Kojima é suficiente para entender todo o enredo, objetivos e pensamentos dos personagens. Há capítulos inteiros sem qualquer diálogo, mas podemos compreender tudo através das expressões e atitudes dos personagens.

Vivendo como um assassino de aluguel, Itto e seu filho são contratados para tirar a vida de pessoas influentes e outros alvos trabalhosos.
"A vida de um homem é um mero sonho, de um sonho, aos olhos do céu."
Entre os grandes fãs desta obra-prima está ninguém menos do que Frank Miller, autor de Batman o Cavaleiro das Trevas, Sin City - resenhado aqui -, 300 de Esparta e Ronin (este repleto de influências de Lobo Solitário). Inclusive ele é quem desenha as primeiras capas das edições americanas do mangá e que foi também as capas usadas nas versões que a Editora Panini lançou por aqui no Brasil, entre 2004 à 2007, num total de 28 edições. E falando na Panini, ainda nesse ano de 2016, teremos o relançamento da obra no mesmo formato de luxo que já vem lançando os mangás de Vagabond e One Punch Man. Oportunidade única!

Recomendo e recomendo novamente. Se você não gosta de quadrinho japonês, acredito que seja porque não conhece Lobo Solitário. Vale muito a pena dar uma chance, vai te cativar já no primeiro capítulo.
*Detalhe a quem interessar:
Meu apelido "Charlitto Ogami" faz algum sentido pra vocês agora?
=D


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